CAPÍTULO 01
‘’Sempre sonhei que seria um grande herói, como nas histórias de quadrinhos, como nos livros. Sabia que eu teria essa oportunidade.
Sempre achei.”
- Richardee, acorda logo, cara!
“ Empunhar a minha espada, arrasar o monstro, salvar a donzela, ganhar um beijo...
Quem diria que um herói de videogame RPG ia parar em uma situação dessas...
Por que não uma aventura com um time, ser bem recebido pelo reino local, ser reconhecido pela população que você veio salvar.Mas...não!
Tem que ser ‘com emoção’! Não tem problema, chegará a minha vez. Argh! A quem estou enganando!? Tem problema, sim! Muito problema! Mas todos tem o seu dia de glória. E o meu vai chegar. Serei reconhecido, recompensado. Terei uma vida feliz e realizada. Sim! Sempre achei que chegaria a minha vez.... mas... por que...”
- Eu sei que está doendo, mas precisamos conversar. Para com essa sua conversa sem sentido consigo mesmo!
- ...
- Ei! Vai acordar logo de uma vez, ou tá difícil ainda...?
“Sempre ach-’’ – hã!? Oh...
Os olhos de Richardee finalmente se abrem. Ou melhor, um deles. O outro está inchado. De tanta pancada que levou. Ele está em um lugar de pouca luminosidade. A pouca que tem, vem por uma janelinha com barras de ferro, fazendo entrar a luz da lua. Tenta ver alguma coisa em volta, enquanto sua visão se adapta ao breu do lugar. Quando consegue, entende a perfeita ilustração do termo ‘atrás das grades’.
- Eles judiaram de você mesmo, hein?
Ele está caído em um monte de palha que ‘serve’ de cama, com suas vestes rasgadas e sujas. Começa a observar onde está, olhando para os lados. Olha com um dos olhos apenas. O outro está inchado, pelas pancadas que recebeu.
- Ah... mas que...?
Embora não aceite, claro, sabe onde está.
Preso. E com mais alguém.
Em uma cela que mais parece parte de um estábulo, tamanha a quantidade de feno. Não há cama, então deram feno aos prisioneiros, para juntarem e servir de uma. Era isso ou o chão.
- Argh!
Com o corpo todo machucado, consegue se mover com certa dificuldade, conseguindo se escorar, sentado, em uma das pareces.
- Vamos começar. Então, boa noite, Richardee!
Ao finalmente atentar para a direção de onde aquela voz veio, percebe o seu companheiro de prisão próximo a janela. Um homem idoso, embora pareça em forma, com roupas velhas, embora não sujas e rasgadas como as dele. E algo brilhante, talvez uma espada por detrás no feno, escondido.
- Não se esforce. Temos o que conversar. Ainda temos tempo.
- Mas... quem é você? Como eu... argh. – Richardee tem uma súbita dor de cabeça, talvez pelas pancadas que levou. E, talvez também por isso, ele logo começa a lembrar do que aconteceu.
Que ele foi enviado a um novo mundo.
Ou pelo menos, entende que foi.
Que, ao chegar, foi perseguido e, mesmo sem entender nada na hora, procurou fugir. Que foi transportado para o pátio dentro de um castelo. E que, ao invés de boas vindas dignas a um herói recém-chegado, recebeu um selo de escravidão. E umas dezenas de socos e pontapés, enquanto lutava para não ser levado cativo.
E outras dúzias de golpes, para tentar fugir, até o selo ser ativado e receber uma descarga poderosos e cair desacordado.
- - Meu nome é Klevin. Muito prazer. Embora tenha a certeza de que você não deve ter o mesmo sentimento...
Não mesmo. Ele, com muito esforço, verifica se não quebrou algum osso, se teve fratura.
- Fique tranquilo. Por sorte, somente ficou esse olho roxo e inchado mesmo. Mas já já, melhora também.
- Eu acho... que apanhei a tarde toda. Mas...
Klevin ri.
- A tarde? Meu companheiro de cela, você estava caído aí a pelo menos quatro dias...
- Hein? Quatro...?
Foi o tempo para que os efeitos da descarga do selo cessarem.
- O escravo que afrontar seus senhores sofre a descarga vinda do selo e caem. Os que são fortes, ficam um ou dois dias caídos. A maioria não acorda mais...
Ele continua olhando para Klevin.
- Você é um cara de sorte... he he he!
Não dá para Richardee achar que isso é ‘sorte’.
- Preste atenção, Richardee. Isso aqui não é um conto de fadas. Você não foi parar em um mundo legal, sabe? Uma guerra acontece lá fora. Os reinos chamaram os seus heróis. Se ao menos você tivesse sido invocado por outro reino...
Klevin suspira, enquanto olha para a lua lá fora.
- Mas aqui é o reino dos humanos. Não-
Klevin o interrompe.
- ... deveria ser um reino tranquilo e que apoia os seus heróis, não é? Deixe eu te contar o que realmente acontece aqui.
Como precisa entender o que está acontecendo, Richardee segue atento ao que Klevin diz..
- Você foi invocado para o reino de Elisia. O reino humano. Existem outros dois reinos. Um é Absinto, o reino dos monstros. O outro é Werebeast, o reino dos demi-humanos, ou meio-humanos... sei lá, que seja. Esses três reinos, por, digamos assim, ‘mal-entendidos’, entraram em guerra, para que algum reino tomasse o controle do mundo. De tempos em tempos, o Zero Attack acontece e, por ocasião, os três reinos cessaram temporariamente os ataques uns contra os outros. Nesse momento, cada reino invoca os seus heróis.
Richardee segue ouvindo a história...
- Há uns três séculos atrás, Elisia invocou um grupo de heróis que pôs o mundo ao seu controle e salvou o nosso reino, mas, em ‘compensação’, extorquiam os habitantes. Elisia só ficou livre depois que todos os seus heróis morreram de causa natural. Nesse processo, as demais nações se reergueram, forçando Elisia e convocarem novos heróis de outro mundo. Para azar do reino, a segunda onda de heróis também subjugou o reino, gerando pobreza e matando a muitos de fome.
- Evidente que a guerra ainda acontecia. Quando o Zero Attack ocorreu, muitos heróis morreram na batalha. Desde então, foi decidido que todos os heróis, para que Elisia não sofresse novamente, teriam que ser escravizados. Quando as demais nações souberam que Elisia tinha os seus heróis sob controle, evitaram invadir, porque eles não saiam quanto o reino teria de poder para lutar...
“- Por isso que estou preso aqui!?”
Richardee começa a entender...
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